O MViva!, espaço aberto, independente, progressista e democrático, que pretende tornar-se um fórum permanente de ideias e discussões, onde assuntos relacionados a conjuntura política, arte, cultura, meio ambiente, ética e outros, sejam a expressão consciente de todos aqueles simpatizantes, militantes, estudantes e trabalhadores que acreditam e reconhecem-se coadjuvantes na construção de um mundo novo da vanguarda de um socialismo moderno e humanista.

sábado, 29 de setembro de 2012

Líderes chineses demonstram unidade após expulsão de Bo



O ex-dirigente, um personagem carismático que divergia do apático cenário político chinês, deve enfrentar julgamento e prisão depois de o Partido Comunista ter anunciado sua expulsão na sexta-feira e emitido uma lista de acusações.
Bo foi acusado de descumprir a lei ao abafar um homicídio, de aceitar grandes propinas e manter "relações sexuais impróprias com múltiplas mulheres".

A sensual atriz chinesa Zhang Ziyi, além de sua beleza e elegância no tapis rouge, agora ganhou fama na China, por ter faturado mais de US$ 100 milhões no mercado do sexo, comentou um dos mais lidos jornais de Hong-Kong. A atriz nega e diz que vai processar o jornal.

Um dos personagens frequentes que, segundo o mesmo jornal, teria depositado grandes quantias na conta da moça teria sido um dos polêmicos príncipes coroados do politburo chinês Bo Xilay, agora abruptamente expurgado da cúpula comunista, atualmente em desgraça, acusado de corrupção e tortura.

O partido sepultou Bo devido às acusações ao mesmo tempo em que anunciou a data de 8 de novembro para o Congresso consagrar uma nova geração de líderes, um papel que Bo tinha ambições claras de possuir.

Na noite de sábado, líderes se reuniram na sede do Parlamento para a recepção do Dia Nacional, a primeira aparição pública dos legisladores desde a revelação das acusações contra Bo.
O primeiro-ministro, Wen Jiabao, não mencionou Bo ou quaisquer polêmicas em seu discurso para centenas de diplomatas, autoridades e convidados.
"Olhando em frente, estamos cheios de confiança", afirmou Wen no discurso, acrescentando que "nenhum problema nos impedirá de ir em frente".
Os oito outros membros do Comitê de Políticas do Partido Comunista, o mais secreto núcleo do poder do órgão, também participaram.
A queda de Bo desordenou as preparações do partido para sucessão de lideranças e expôs abuso de poder após um ex-chefe de polícia ter buscado abrigo no Consulado norte-americano para revelar que a mulher de Bo, Gu Kailai, tinha assassinado um empresário britânico.
A imprensa estatal tentou dividir as imagens de Bo e da elite do partido, celebrando sua queda como uma vitória da determinação dos comunistas em combater a corrupção.

"Não importa qual é a posição, não importa o quão influente são, qualquer um que violar a disciplina do partido e da lei do Estado será severamente perseguido e punido", afirmou uma autoridade à agência de notícias Xinhua.
"Como uma importante autoridade do partido, Bo Xilai tinha que ser um modelo de obediência à disciplina do partido", afirmou a agência em seu comentário. "Mas, em vez disso, ele monopolizou o poder e se comportou indiferentemente, fazendo o que queria e violando gravemente a disciplina."
No começo do domingo, o Parlamento confirmou que Bo foi removido como delegado, após sua expulsão do partido e de seus conselhos, informou a Xinhua.


(Por Chris Buckley)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Festival de Ópera começa venda de ingressos dia 8

Theatro da Paz - Belém do Pará, capital Cultural da Amazônia

O XI Festival do Theatro da Paz começa no próximo dia 17 de outubro, trazendo três grandes óperas, concertos e master class, numa programação que se estende, este ano, até o dia 1º de dezembro.

Festival de Ópera começa venda de ingressos dia 8 (Foto: )
Os ingressos começam a ser vendidos na bilheteria do teatro a partir do dia 8 de outubro e as pessoas que não residem no Estado, interessadas em ver “Cavalleria Rusticana”, “João e Maria” e “Salomé” podem enviar  e-mail  para bilheteriatp@supridados.com.br , a partir da mesma data, e garantir os seus. Os valores variam entre 20 e 60 reais.

Este ano a bilheteria vai funcionar às segundas-feiras e no dia 12 de outubro, mesmo sendo feriado, também estará aberta. Em fase de preparativos, os cenários da ópera que abre e a do que encerra o evento estão sendo construídos em Belém, assim como todo o coro, com 60 vozes, inúmeros solistas e músicos também são paraenses.
Programação


A décima primeira edição do tradicional Festival de Ópera do Theatro da Paz terá uma programação bem mais longa que nos anos anteriores: começa dia 17 de outubro, logo após o Círio de Nazaré, e só terminará dia 1º de dezembro. “Esperamos que este seja o melhor de todos os festivais realizados até agora. A programação musical, a escolha dos solistas e dos maestros convidados, além do tradicional e consolidado apoio do público, nos permitem acreditar que o evento será um enorme sucesso”, diz Gilberto Chaves, diretor geral do evento.

O festival será aberto com uma das mais famosas óperas de todos os tempos: “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni, que traz os cantores Laura de Souza, Rinaldo Leone, Alfa de Oliveira, Rodolfo Giugliani e Luciana Tavares nos papeis principais. A regência será do maestro italiano Gian Luigi Zampieri e a direção cênica do premiado Iacov Hillel. “Cavalleria é uma das óperas que mais vezes foi encenada no Theatro da Paz. A primeira montagem em Belém aconteceu em 1892, apenas um ano depois de ter sido composta. Mas as novas gerações nunca puderam vê-la aqui”, conta  Gilberto Chaves.

A segunda ópera do Festival será “João e Maria”, com direção de Flávio de Souza, regência do maestro Jamil Maluf e os solistas Luciana Bueno, Laryssa Alvarazi, Regina Helena Mesquita, Adriana Clis, Leonardo Neiva, Luciana Tavares e Aliane Sousa. Trata-se da ópera de maior sucesso de público já montada no País: estreou há 11 anos e desde então já foi apresentada em diversas capitais brasileiras.

Luxuoso interior do Theatro da Paz em Belém do Pará
Em São Paulo é encenada anualmente a estreia, sempre com lotações esgotadas e espectadores reclamando porque não conseguiram ingressos. A ópera é do compositor alemão Engelbert Humperdinck, e baseia-se na história de 'João e Maria', escrita pelos irmãos Grimm. Narra a saga de dois irmãos que se perdem na floresta e, durante a procura pelo caminho de volta encontram uma casa coberta de doces, onde mora uma bruxa malvada. O enredo sem dúvidas soa familiar a qualquer adulto e o espetáculo, apesar de infantil, agrada a toda a família.

A terceira ópera é o grande desafio deste ano, por causa da sua grandiosidade e complexidade musical: “Salomé”, de Richard Strauss. Conta a conhecida história da princesa que exigiu do padrasto, Herodes, a cabeça do profeta João Batista numa bandeja de prata em troca de uma dança. “É uma obra difícil de ser interpretada, cantada e tocada. Sem dúvida é a peça mais difícil que a nossa orquestra já tocou, em qualquer época”, assinala o diretor geral.

A cantora que fará o papel-título vem da Holanda. Annemarie Kremer é uma das mais disputadas sopranos européias. João Batista será vivido por Rodrigo Esteves, considerado um dos principais barítonos brasileiros da atualidade e que no ano passado participou da montagem de “Tosca” em Belém. Os demais papéis serão vividos por Paulo Queiroz, Andreia de Souza, Giovanni Tristacci, Josy Santos, Daniel Germano, Andrei Mira, Antonio Wilson Azevedo, Rodrigo Valdez, Marcos Carvalho, Marcio Carvalho, Raimundo Mira, Idaías Souto, Ytanaã Figueiredo, Nilberto Viana. Jéssica Wisniemski e Tati Helene (doppione de Salomé). A direção é de Mauro Wrona e a regência é do maestro Miguel Campos Neto.

A exemplo do que ocorreu no ano passado, quando o Festival apresentou “A Dança na Ópera”, a edição deste ano também terá um espetáculo de características inéditas: “Quando o Jazz encontra a Ópera”, apresentado pela Amazônia Jazz Band. Trata-se de um concerto de jazz montado exclusivamente com arranjos especiais de árias e temas de óperas famosas, como de “La Bohème” (Puccini), “Rigoletto” (Verdi) e “Carmen” (Bizet), dentre outras. Todos os arranjos, encomendados especialmente pela direção do Festival, são assinados por especialistas nesse gênero musical: Seguei Firsanov, Alcir Meireles, Tynnôko Costa e Nelson Neves. Além deles, também será executada a versão original de uma obra de Nino Rota.

Dois recitais merecem destaque: do baixo-barítono português Antônio Salgado e da soprano paraense Carmen Monarcha. Professor de canto – já lecionou cursos na Espanha, Itália, Inglaterra, Brasil e Áustria, além de Portugal –, Salgado participa regularmente de montagem de óperas em toda a Europa e vai apresentar em Belém um recital de canções portuguesas e brasileiras, com textos de Camões a Vinícius de Moraes.

Carmen Monarcha dispensa apresentações. Depois do enorme sucesso obtido em São Paulo (fez trinta apresentações no Ginásio do Ibirapuera como solista da orquestra de André Rieu, para um público total estimado em 200 mil pessoas), ela vai fazer em Belém um recital em homenagem aos cem anos do compositor paraense Gentil Puget.

(DOL)

Free ilustration: militanciaviva

Equatorial deve assumir a Celpa em 1º de novembro


Nesta quinta-feira (27), o diretor-presidente da Equatorial Energia, Firmino Ferreira Sampaio Neto, afirmou que a empresa deve assumir o controle da Celpa até 1º de novembro. 

O executivo esclareceu dúvidas sobre possíveis mudanças na empresa e tranquilizou trabalhadores e consumidores: não deve haver demissões em massa e a conta de luz não sofrerá nenhuma alteração além do reajuste já feito no início de agosto.
As informações foram adiantadas em uma coletiva de imprensa que aconteceu na tarde de hoje, por volta de 17h. Firmino explicou que a empresa aguarda agora as autorizações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) para a conclusão da operação de compra.
A Equatorial Energia, do fundo Vinci Partners, possui investimentos na Companhia Energética do Maranhão (CEMAR), na Geramar, na Equatorial Soluções e na Sol Energias. O presidente comentou que, apesar de saber ser impossível reproduzir as práticas executadas na empresa maranhense, pretende aplicar na Celpa a mesma política de respeito ao consumidor e valorização da qualidade dos serviços prestados.
“Acima de tudo, precisamos melhorar a qualidade de ser viço da companhia. Queremos ter em Belém um serviço com o padrão de qualidade equivalente às melhores cidades do Brasil. Ainda não temos um prazo para isso, mas esse é o nosso objetivo”, afirmou Firmino.
Mudanças
O presidente da empresa também garantiu que, inicialmente, não pretende demitir funcionários da Celpa. "Faremos uma análise cuidada do perfil e da atuação de cada um, identificando o potencial dos funcionários para a empresa. Não serão feitas demissões em massa", garantiu.
Quanto aos terceirizados, a posição da empresa será avaliar a real necessidade e função desses funcionários. "É imprudente dizer agora que ações concretas que tomaremos. Todas as decisões só poderão ser comunicadas quando tivermos um primeiro contato com a empresa e após uma fase de diagnósticos inicial", ressaltou presidente. 
Operação
A Equatorial Energia fechou acordo na terça-feira (26)  para comprar 65,18% do capital votante da Centrais Elétricas do Pará (Celpa) por apenas R$ 1. A Celpa tem mais de R$ 3 bilhões de dívidas e entrou com pedido de Recuperação Judicial em fevereiro desse ano.



(Marina Chiari/DOL)

Assange - um cabra marcado para morrer



Assange no terraço da embaixada equatoriana em Londres
Um jornal australiano obteve um documento do governo americano em que Julian Assange e o Wikileaks são classificados como “inimigos do Estado”.
A notícia está repercutindo em todo o mundo, e com razão.
“Inimigos do Estado” é a mesma categoria em que estão catalogados o Talibã e a Al-Qaeda, por exemplo. Na prática, pela legislação de segurança americana, significa que eles podem ser presos sem processo formal por tempo indeterminado.
Podem também ser executados. Mortos. Eliminados. Como se estivéssemos vivendo o seriado 24 horas.
Onde, no Brasil, o repúdio à perseguição movida pelo governo americano a Assange? Ninguém se importa com ele? Algum colunista brasileiro o defendeu? Assange foi alvo de um único editorial? Ou, por criticar os Estados Unidos, ele não pode ser defendido?
Não só a perseguição americana já passou dos limites. Também a intransigência inglesa em não dar a ele salvo conduto para que pegue um avião rumo ao Equador vai passar para a história como um dos maus momentos da história recente do Reino Unido, em seu alinhamento com a política externa americana.
Assange está confinado na modesta embaixada equatoriana em Londres. Ontem, numa fala na ONU, o ministro das relações exteriores do Equador, Ricardo Patiño, alertou para os riscos físicos que Assange enfrenta em sua presente situação. Lembremos que o pretexto para isso é o sexo que duas suecas fizeram consensualmente com ele.
Por teleconferência, Assange também falou ontem num fórum da ONU. Como sempre, num gesto de elegância, falou menos de si mesmo e mais do soldado Bradley Manning. (Também numa atitude admirável, Assange recusou um prêmio de “liberdade de expressão” concedido pela editora argentina Perfil — que no Brasil é sócia da Abril na Caras — quando soube que também estava sendo homenageado um jornalista do Equador que recebe subvenções americanas e trata a patadas o governo constitucional de Rafael Correa.)
Manning é acusado de ter passado ao Wikileaks os documentos americanos que, entre outras coisas, mostravam a Guerra do Iraque como ela era e é, não como os Estados Unidos fingiam que era.
Manning está preso à espera de julgamento, e pode ser condenado à morte por traição. Até que ativistas fizessem pressão, ele foi submetido a condições degradantes numa cadeia militar americana. Estava privado de qualquer contato com outros presos, e durante boa parte do tempo era impedido de vestir qualquer roupa. Tecnicamente, como lembraram os ativistas, estava sob tortura contínua.
E agora: o mundo vai esperar o quê para gritar pela libertação de Assange? Que ele morra?


Postado por  Paulo Nogueira no DCM

A CIVILIZADA BANDA ORIENTAL

Manifestação em frente ao Congresso

Não, não estamos falando de uma banda de rock da Índia, mas do Uruguai, país que já foi chamado Banda Oriental do Rio Uruguai.  
A Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, por 50 votos a 49, o projeto que descriminaliza o aborto no país até a 12ª semana de gestação; 14ª se houver estupro e prazo indeterminado se houver risco de vida para a mãe. O texto aprovado substitui a palavra “legalização” por “descriminalização” e deixa claro que a decisão final cabe apenas à mulher. As interessadas deverão ser submetidas a uma comissão de médicos e assistentes sociais que as informarão sobre as alternativas. Depois de cinco dias, a mulher decidirá se quer manter ou interromper a gravidez. O projeto diz que o aborto não será penalizado desde que a mulher cumpra essas exigências e o procedimento será feito em centros de saúde supervisionados pelo governo.

O projeto vai agora ao Senado, onde não terá dificuldades para ser aprovado. Com isso, o Uruguai se tornará o primeiro país da América do Sul a descriminalizar o aborto; em toda a América Latina, a prática é legalizada apenas em Cuba. A proposta do partido do governo, a Frente Ampla (centro-esquerda), tinha sido rejeitada em duas outras oportunidades. Na última delas, em 2008, o projeto fora aprovado pelo Congresso, mas vetado pelo então presidente Tabaré Vázquez, que justificou sua decisão devido a “razões filosóficas e biológicas” e provocou uma crise na Frente Ampla. O atual presidente, José Pepe Mujica já anunciou que não vetará o projeto.


Duramente criticado pelos conservadores dos partidos tradicionais, Blanco e Colorado, e por grupos religiosos, o projeto recebeu apoio de organizações e entidades de defesa dos direitos civis. Durante a sessão na Câmara, mulheres nuas com os corpos pintados cercaram o prédio do Legislativo do Uruguai para demonstrar apoio à proposta. Os grupos contrários ao texto também foram até o local do protesto.

O presidente José Battle votando 
Ao lado da proposta de legalização da maconha para combater o narcotráfico, feito há meses pelo presidente Mujica, a descriminalização do aborto faz com que o Uruguai retome sua tradição de país culturalmente liberal e socialmente avançado. Desde o início do século XX, a partir do governo de José Battle y Ordoñez, o Uruguai caracterizou-se por ser um país de leis de vanguarda na América Latina. Battle, presidente entre 1903 e 1915, introduziu uma avançada legislação trabalhista – um welfare state avant la lettre –, colocou os bancos sob controle do governo e concedeu crédito aos agricultores. Também encorajou a construção de portos, fábricas e edifícios públicos. Em 1907 foi aprovada a lei de divórcio (sete décadas antes de todos seus vizinhos); em 1932, o Uruguai se tornou o segundo país das Américas a conceder o direito de voto às mulheres (o primeiro foi os EUA). A República Oriental ficou conhecida como “Suíça da América do Sul”, mas nos anos 1970 o Uruguai sofreria, como seus vizinhos, sob as botas de uma sangrenta ditadura militar. Mesmo assim, em 1980 os uruguaios rejeitaram um plebiscito em que os militares tentaram institucionalizar a ditadura. O país voltou à democracia em 1985.    
A partir de 2004, com a ascensão da Frente Ampla ao poder, o Uruguai voltou a ser vanguarda. Em 2007, o país se tornou o primeiro Estado latino-americano a fazer uma lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo. Em 2008 o Parlamento aprovou lei que pune os pais que inflijam punições físicas a seus filhos; em 2009 o Congresso abriu as portas para a adoção de crianças por parte de casais homossexuais e, no ano seguinte, houve o fim das restrições à entrada de homossexuais nas Forças Armadas.
O presidente José Pepe Mujica
O Uruguai também é considerado o país mais laico das Américas. O juramento de posse do presidente exclui qualquer referência a Deus já que ele jura por sua honra pessoal e a Constituição. O país já teve vários presidentes declaradamente ateus e agnósticos e nunca ninguém se escandalizou com isso. Não há crucifixos no Parlamento, nem nas repartições públicas. Menos de 50% da população é declaradamente católica, enquanto que outros 40,4% não têm nenhuma filiação religiosa.
Ai, que inveja!
 
Por Cláudio Camargo



A Espanha, a crise e a síndrome da Catalunha



A Espanha não é a Espanha: os portugueses, seus vizinhos e dela súditos por algum tempo, referem-se ao resto da Península como as Espanhas. 
Ainda que o nome do país venha do tempo em que ainda o ocupavam os cartagineses, nunca houve no território unidade cultural e política, a não ser pela força. A Espanha é um mau arranjo histórico. Até onde vai o conhecimento do passado, o povo que a ocupa há mais tempo é o basco. O orgulhoso nacionalismo basco proclama que sua gente sempre esteve ali, como se houvesse brotado do chão, mas a antropologia histórica contesta a hipótese. De algum lugar vieram os bascos, provavelmente da África, como os demais europeus.

A Espanha foi ocupada por todos os povos do Mediterrâneo, e alguns deles nela estabeleceram colônias que mantiveram, durante todos os séculos, sua identidade primordial. É esse o caso dos catalães. Colônia fenícia, em seu tempo, a Catalunha vem lutando, desde o século 17, para recuperar sua independência. Um dos episódios mais fortes desse movimento foi a Guerra Civil de 1640. Iniciada por camponeses (a rebelião dos segadores), ela se tornou movimento de independência nacional só derrotado doze anos mais tarde. Os catalães não se consideram “espanhóis”, como tampouco assim se consideram os bascos, os galegos, os asturianos e os andaluzes. O predomínio de Castela, depois de sua união com o Reino de Aragão, no fim do século 15, tem sido freqüentemente contestado.

Mais recentemente, em 1913, os catalães obtiveram seu primeiro estatuto de autonomia, principalmente em questões orçamentárias, mas essa concessão lhes foi revogada pela Ditadura de Primo de Rivera, em 1925. Em 1931, com a vitória da esquerda republicana nas eleições municipais, a Catalunha se proclamou república independente, mas, em solidariedade com os republicanos do resto da Espanha, adiou sua plena autonomia, diante das dificuldades políticas que levariam à Guerra Civil de 1936.
Com a vitória de Franco, a repressão aos movimentos de autonomia, particularmente os da Catalunha e dos Países Bascos, foi de aterrorizadora brutalidade.
O momento é propício para a reivindicação dos catalães. A Espanha entrou em uma crise econômica de difícil saída, por ter – fosse com os conservadores, fosse com os socialistas de faz de conta – privilegiado o grande capital, que preferiu investir na América Latina a promover o desenvolvimento do próprio país e a criação de empregos.
A razão era a normal do capitalismo: os lucros em nossos países são maiores, porque os salários e as obrigações trabalhistas são menores. Ao mesmo tempo, sem o controle sobre a remessa de lucros, o nosso continente é-lhes o paraíso. Mesmo assim, a arrogante Espanha, por ter promovido a desigualdade social e malgastado os recursos obtidos da União Européia, ao serviço dos banqueiros, encontra-se hoje de chapéu na mão diante da ainda mais arrogante Ângela Merkel, que comanda, hoje, o FMI e o Banco Central Europeu.

A situação internacional, sendo instável, particularmente na Europa, coloca os espanhóis na defensiva e acelera o movimento centrífugo, já antigo. Há, mesmo, uma tendência para que a união dos estados europeus seja substituída por uma “união de povos europeus”. Pensadores bascos têm insistido nesta tese.
Ontem, o líder do PSOE, Alfredo Perez Rubalcaba, propôs uma solução inteligente para resolver não só o caso da Catalunha, como a de todas as outras nacionalidades que orbitam em torno de Madri: a construção de um estado federativo.
Os conservadores levantaram-se contra e é esperada uma manifestação dura do rei, e com sua própria razão: no caso da Espanha será difícil uma federação sem república, e a monarquia dos Bourbon começa a claudicar, com a desmoralização da família real, metida em escândalos e em desvio de recursos públicos.
Não obstante essa presumível reação, será o melhor caminho: uma reforma constitucional negociada – e rapidamente, tendo em vista a situação geral do país e da Europa – para que as atuais “autonomias regionais” se convertam em unidades federadas, com o máximo de soberania nacional em um estado republicano. Tanto quanto a autonomia administrativa e financeira, esses povos reclamam respeito à sua cultura e à sua dignidade histórica.

Enquanto isso, o Parlamento da Catalunha caminha para realizar a histórica consulta ao seu povo – se deseja, ou não, tornar-se uma nação independente. Se a Catalunha disser “sim”, será difícil à Espanha repetir, hoje, o que fez Filipe IV, da Espanha, e subjugar militarmente os catalães – sem que haja uma comoção européia. Os tempos são outros, embora se pareçam muito aos anos 30 – os de Franco, Hitler e Mussolini.

O STF não merece ter Barbosa na Presidência

Este tema é de decisão estrita do Supremo Tribunal Federal, é óbvio. E não vai, de forma alguma, influir no resultado final do julgamento do “mensalão”. E nem influirá porque, a esta altura, provavelmente todos os Ministros já firmaram sua convicção em relação aos acusados.

Mas, inegavelmente, Joaquim Barbosa não está apto a assumir a presidência do STF. De forma alguma. É uma pessoa emocionalmente desequilibrada, incapaz de entender regras mínimas de convivência com seus pares. Sua truculência é tamanha que, nas sessões do Supremo, um presidente vacilante, como Ayres Brito, mal consegue contê-la. Foi necessário que Marco Aurélio de Mello se manifestasse duramente para Joaquim Barbosa sair do surto que o acometeu.

Como presidente, o que ocorreria? Uma desmoralização completa da corte.

Barbosa é o tipo de pessoa que faz questão de exercer seus poderes ultrapassando seus próprios limites. Não lhe basta a plenitude de poderes de que goza um Ministro da Suprema Corte. Ele quer mais e mais, calar dissidentes, proibir o contraditório, indignar-se com quem tem a petulância de pretender divergir.

Ontem, comportou-se como um valentão de bar disputando a menina (a opinião pública). A ponto de invocar suposta inveja do revisor Ricardo Lewandowski, acusando-o de copiar até seu tempo de exposição. Como se a exposição do revisor pretendesse atrapalhar seu grande momento. Como se o momento solene de um julgamento fosse um palco iluminado com apenas um ator.

O Supremo não pode correr esse risco de desmoralização alçando-o à presidência.

A exploração da imagem de Joaquim Barbosa é veneno na veia do Supremo. Ele é enaltecido por jornalistas e populares que sempre trataram a questão da Justiça como vingança, acerto de contas, linchamento, efeito manada.

Seus seguidores e os exploradores da sua imagem são os mesmos que aplaudiram o linchamento da Escola de Base, do Bar Bodega, os mesmos que exploraram a religiosidade mais obtusa, o preconceito mais escancarado, o ódio mais acendrado, o esgoto mais fétido que já jorrou da mídia.

Se o Supremo quiser atropelar garantias, é prerrogativa dele. Que pelo menos seja através da imagem de um Celso de Melo, Marco Aurélio, até Rosa Weber, não desse protótipo de lutador da UFC togado.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O ponto alto da fala de Dilma


Dilma na Onu

Por Paulo Nogueira 

Poucas coisas são mais maçantes que discursos de presidentes. Exclamação.
Mas a fala de Dilma na Onu merece uma reflexão por um ponto específico: a lucidez corajosa com que ela expôs a política externa brasileira. É um contraste formidável com o passado diplomático brasileiro, tão marcado no século 20 pela cabulosa e submissa lógica segundo a qual o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil.
Sublinho quatro pontos positivos:
1) A crítica à islamofobia que tomou de assalto os Estados Unidos e boa parte da Europa no rastro da assim chamada “Guerra ao Terror”. O infame filme “A Inocência dos Muçulmanos”, que provocou tantas mortes, é um símbolo da islamofobia.
2) O olhar agudo para a tragédia Síria. O regime corrupto de  Bashar Assad se engalfinha numa guerra civil na qual quem está pagando são os civis sírios. Tanto quanto as forças de Assad, os rebeldes, armados pelos Estados Unidos e aliados, cometem atrocidades. Dilma acertou em pregar um cessar fogo imediato.
3)  A defesa de um estado livre e soberano para os palestinos. Dilma está certa em afirmar que isso contribuirá para a paz na região.
4)  O fim do ignominioso embargo americano para Cuba. Já não foi suficiente, durante tanto tempo, os americanos terem tratado Cuba como um bordel? Não basta impor, há mais de 100 anos, uma base militar aos cubanos, a de Guantánamo, na qual se destaca, sinistra, a prisão homônina?.

Diário do Centro do Mundo.

Diretor do Google no Brasil é detido pela Polícia Federal em São Paulo



A Polícia Federal (PF) informou, por meio de nota, que cumpriu hoje à tarde o pedido de detenção do diretor-geral do Google no Brasil, Fábio José Silva Coelho. A detenção foi realizada em São Paulo por determinação da Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul.

A detenção ocorreu após a empresa negar o cumprimento de decisões judiciais que determinam a retirada de vídeos do YouTube que supostamente acusam um dos candidatos à prefeitura de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), de praticar vários crimes.

A medida foi determinada pelo juiz Flávio Saad Perón, da 35ª Zona Eleitoral de Campo Grande. Ele determinou a detenção porque a empresa não cumpriu a ordem de retirada dos vídeos, expedida na quinta-feira da semana passada.

Na segunda-feira (24), em nota, a empresa informou que iria recorrer da decisão, pois, de acordo com a empresa “ a responsabilidade dos vídeos postados no YouTube é dos usuários que utilizam o serviço”.

Segundo a PF, o diretor-geral do Google será liberado ainda nesta quarta. “Por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo, apesar de trazido para a Polícia Federal, ele não permanecerá preso. Será lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência, com a oitiva do conduzido e sua liberação, após a assinatura do compromisso de comparecer perante a Justiça”, informou a nota.

O juiz também encaminhou ofício à Embratel determinando a retirada do site em Mato Grosso do Sul por 24h.

Com informações da Agência Brasil.

Irã está sob ameaça militar sionista, diz Ahmadinejad

Reuters
O Irã está sob a ameaça de ação militar por parte de "sionistas incivilizados", disse nesta quarta-feira o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em uma referência clara a Israel. Segundo ele, ameaças desse tipo feitas pelas grandes potências têm como objetivo forçar a submissão dos países.
"A ameaça contínua dos sionistas incivilizados de recorrer à ação militar contra a nossa grande nação é um exemplo claro dessa realidade cruel", disse Ahmadinejad em um discurso de 33 minutos à Assembleia-Geral da ONU.

Israel e Estados Unidos recusam-se a descartar a possibilidade de um ataque contra as instalações nucleares do Irã, que o Ocidente suspeita que tenham como objetivo produzir bombas nucleares. O governo iraniano afirma que elas têm finalidades pacíficas.
Essa foi a oitava participação do presidente iraniano na assembleia das 193 nações e deverá ser a sua última, uma vez que seu segundo e último mandato termina no ano que vem. O discurso coincidiu com o feriado judaico do Yom Kippur, um dos dias mais sagrados do calendário judaico.
O discurso de Ahmadinejad mencionou questões suscitadas em suas participações anteriores na ONU, sugerindo que deveria haver uma "equipe independente de investigação" para descobrir a "verdade" por trás dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Ele também reclamou das "políticas e ações hegemônicas do sionismo mundial".
Ahmadinejad afirmou durante a semana que Israel mais cedo ou mais tarde será "eliminado". Essa declaração, não repetida na quarta-feira, enfureceu Israel e os EUA.

A missão norte-americana na ONU informou que a sua delegação não assistiu ao discurso do presidente iraniano. Ahmadinejad falou um dia depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, dizer à Assembleia-Geral que o governo norte-americano fará o que for necessário para evitar que Teerã obtenha armas nucleares.

Ahmadinejad também criticou a "atual ordem mundial opressiva", na qual a "pobreza é imposta às nações e as ambições e as metas das potências são buscadas seja por meio de artifícios ou pelo recurso à força".

"A situação abissal atual do mundo e os incidentes amargos da história se devem principalmente ao gerenciamento errôneo do mundo e dos autoproclamados centros de poder que se entregaram ao diabo", afirmou.
No que pareceu ser um chamado para uma nova ordem mundial com base na justiça e não pela dominação das grandes potências, ele afirmou que o mundo estava fundado sobre o materialismo e carecia de valores morais.
"Não há dúvida de que o mundo precisa de uma nova ordem de uma forma nova de pensar", afirmou Ahmadinejad, acrescentando que ela deveria ser uma "ordem justa e clara na qual todos são iguais ante a lei e na qual não há padrões duplos".
Ele disse que a autoridade deveria ser usada como uma dádiva sagrada, "não como uma chance de acumular poder e riqueza".



(Reportagem de Arshad Mohammed e de Louis Charbonneau)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Bandalheira grossa na administração Dulciomar Costa, prefeito de Belém do Pará - Cinco denunciados no caso Ipamb

Cinco denunciados no caso Ipamb  (Foto: Everaldo Nascimento)


O caso das fraudes, detectadas no Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb), ainda tramita na justiça. Ontem, o Ministério Público do Estado (MPE), por meio do promotor de justiça Arnaldo Célio da Costa Azevedo, ajuizou denúncia contra cinco suspeitos de envolvimento nas ações fraudulentas. 
Os réus, Renato César Nascimento Spinelli, Mayko Orlando Pereira de Oliveira, Paula Carolina Sotão Vieitas, Diego Saavedra Pinheiro são acusados dos crimes de inserção e exclusão de dados falsos em sistema de informações, de formação de quadrilha ou bando e peculato eletrônico. 
 
Já o ex-presidente do Ipamb, Oséas Batista da Silva Junior (foto acima), foi denunciado pelos crimes de inserção e exclusão de dados falsos em sistema de informações. As penas previstas pelo Código Penal Brasileiro são de reclusão ou detenção, com o tempo variando de acordo com cada caso e ainda pagamento de multa.
A denúncia partiu das apurações do MPE, que dão conta de que medicamentos e bens de consumo eram comprados em duas redes de farmácias de Belém, utilizando irregularmente a matrícula de vários servidores do Instituto.
O pagamento era efetuado à vista, com desconto diferenciado no ato da compra ou então posterior diminuição na folha de pagamento do Instituto, em duas parcelas. “O Ipamb pagava as compras, mas não se ressarcia pelos servidores porque os dados eram apagados”, completou Arnaldo Azevedo. 
Cadê o  Prefeito Dulciomar?. Ele, no mínimo, deveria vir á público se defender e explicar para a população o que esta acontecendo neste importante  órgão municipal.

O promotor explica na denúncia que o ilícito acontecia na medida em que funcionários do Ipamb, que operavam o sistema de informática daquele órgão municipal desligavam criminosamente o modem do link de acesso ao sistema, objetivando beneficiar uma das duas redes de farmácias. Esta atitude, segundo o promotor, era determinação do ex-presidente do Ipamb, Oséas Junior, visando prejudicar a segunda rede de farmácia. Ou seja, já que o sistema estava fora do ar, os servidores passavam a comprar na farmácia propositalmente beneficiada. 
Este comportamento do ex-presidente foi confirmado por todos os réus, indicando inclusive que por volta do dia nove de cada mês, a ordem era reforçada por se tratar do período preferencial de compra. “Ao desligar o modem de acesso ao link da farmácia prejudicada, Renato Spinelli e Diego Saavedra modificavam o sistema de informação do Ipamb”, completou Azevedo.
A denúncia do MPE, relata as condutas de cada suspeito que são consideradas irregulares pelo Ministério Público. Renato Spinelli, então diretor do núcleo de informática do Ipamb, teria sido o idealizador da fraude e também quem deu suporte para toda a sua realização. Sua tarefa seria incluir nas matrículas funcionais informações referentes a compras e em seguida apagar do sistema os rastros que comprovavam tais operações. 
Mayko Orlando Pereira de Oliveira, Paula Carolina Sotão Vieitas, Diego Saavedra Pinheiro são acusados de agir em conjunto com Spinelli, utilizando inclusive o número de matrícula de vários servidores para efetuar compras. O promotor adiantou ainda que “esta denúncia é um leque de uma série de outras que virão sobre o caso Ipamb”.

IPAMB
A redação do DIÁRIO tentou contato com a assessoria de imprensa do Ipamb, mas até o fechamento dessa edição, não fomos atendidos por contato telefônico.


(Diário do Pará)

Acervo da ONU reforça elo de países na Operação Condor


Sequestradores
Meses depois, a cooperação já era realidade. Em telegrama de 14 de abril de 1970, o representante do Acnur em Bogotá alertava para uma coordenação entre as diplomacias da região contra os militantes de oposição, principalmente diante dos sequestros políticos que aumentavam. 

 "Recentes sequestros políticos no Brasil, na Argentina e na Guatemala e o trágico assassinato do embaixador Von Spreta vão provavelmente resultar em políticas muito mais restritivas de asilo para aqueles que eventualmente possam ser responsáveis por tais crimes", dizia. Naquele ano, grupos sequestraram embaixadores trocando-os por presos políticos.
Segundo o telegrama, um plano estava sendo costurado entre diplomatas 

para fechar o cerco contra sequestradores e impedir que pudessem fazer a troca de embaixadores por militantes presos. Uma das propostas era um acordo para considerar "pessoas nas listas para trocas em um caso de sequestro como possíveis cúmplices no sequestro" - ou seja, seriam também consideradas criminosas e não poderiam ser trocadas.
"Todos os países assumirão a obrigação de não dar asilo a qualquer pessoa na lista de candidatos para serem trocados com sequestradores e dar extradição imediata se um deles entrar em seus territórios", dizia o texto. O Acnur previa naquele momento que México e Cuba rejeitariam fazer parte do acordo.

Em um telegrama de 14 de fevereiro de 1978, a ONU alertava para a situação de um militante argentino exilado no Brasil - identificado apenas como Bevacqua -, detido na rua, em Porto Alegre, em uma verificação de papéis. Horas depois da prisão, ele morreria. Informações obtidas pela ONU com diplomatas americanos indicavam que a polícia queria evitar a suspeita de assassinato. Duas autópsias teriam sido feitas, mostrando que ele sofreu um "ataque cardíaco".
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjT7mXsFk4FCm-RjODpnyal6Evne0uVSVI0mLxVhVkVCZtwI33JT0uGfgzdRQc4Pt-30jhqHdIcQmElaPKC5IC_JyoP0KSgJXWhRFWZSx_TeK0fYqUrbXhc0FpkiJK_HAeOzKAiE32z4Xw/s200/kissinger_war_criminal.jpg
O Acnur não confiava na informação. "Outras fontes confiáveis expressaram dúvidas sobre essa versão (do ataque cardíaco), sugerindo que ele, um militante, possa ter se envenenado para evitar revelar fatos sob tortura", apontava o telegrama.

O Acnur dizia que a ação ocorre no momento em que havia sinais de que o principal grupo de oposição argentino, os Montoneros, tentava se reorganizar, usando o território brasileiro. Mas, diante desse incidente, a ONU também via outro fenômeno: "A inteligência militar argentina está ativa no Brasil".

JAMIL CHADE - Agência Estado.

Governo grego enfrenta primeira grande greve contra austeridade

Top Weird And Wonderful Pictures Of 2011 

Voos e trens foram suspensos, lojas fecharam as portas e dezenas de milhares de gregos tomaram as ruas, nesta quarta-feira, na primeira greve contra as medidas de austeridade no país desde que um novo governo de coalizão tomou posse em junho.

Em Atenas, mais de 50 mil pessoas gritaram nas ruas: "Não vamos nos submeter à troika (credores)" e "Fora UE e FMI!".
Os manifestantes passaram pela praça Syntagma, no centro de Atenas, em direção ao Parlamento, para protestar contra a nova rodada de medidas de austeridade determinadas pela UE e o FMI como exigência para dar mais ajuda ao país.
"Não aguentamos mais isso -- estamos sangrando. Não podemos criar nossas crianças dessa forma", disse Dina Kokou, uma professora de 54 anos e mãe de quatro filhos que vive com uma renda mensal de 1.000 euros.

"Esses aumentos de impostos e cortes de salários estão nos matando."
A greve, convocada pelos dois maiores sindicados do país --que representaram metade dos 4 milhões de trabalhadores gregos-- é o primeiro grande teste à popularidade do primeiro-ministro Antonis Samaras.

As férias de verão deram ao governo de coalizão liderado pelos conservadores uma calma relativa nas ruas desde que Samaras chegou ao poder com uma plataforma pró-euro e pró-resgate, mas os sindicatos preveem mais protestos com o fim do descanso.
"Ontem os espanhóis tomaram as ruas, hoje somos nós, amanhã serão os italianos e no dia seguinte, todo o povo da Europa", disse Yiorgos Harisis, sindicalista do sindicato dos servidores públicos Adedy.
Cerca de 3 mil policiais --o dobro do usado normalmente-- foram às ruas para proteger o centro de Atenas e autoridades se prepararam para o tipo de violência que marcou manifestações passadas no país.
O último grande caso de violência nas ruas de Atenas ocorreu em fevereiro, quando manifestantes colocaram fogo em lojas e agências bancárias depois que o Parlamento aprovou as medidas de austeridade. 


RENEE MALTEZOU E HARRY PA - Reuters.


 ILUSTRATION FREE BY: MILITANCIAVIVA


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O QUE LEVOU OS ESPANHOIS A FICAREM TÃO INDIGNADOS



Protesto ontem na Espanha

Por  Paulo Nogueira

A Espanha enfrenta uma convulsão social – algo que é pior do que uma mera crise econômica.
Ontem, num protesto chamado “Ocupe o Congresso”, ou “25S” (de 25 de setembro), registraram-se cenas impressionantes no centro de Madrid.
Veja o vídeo abaixo.
O que acontece, essencialmente: os “indignados”, o nome dado aos manifestantes espanhóis, perderam a paciência com a iniquidade social que foi tomando conta do país ao longos dos últimos anos.
Na Espanha, como em quase todo o mundo, e os Estados Unidos são um exemplo formidável, grandes corporações e multimilionários foram concentrando cada vez mais riqueza com a evasão – legalizada e amoral – de impostos, sobretudo através de paraísos fiscais.
Essa predação leva inevitavelmente à escassez de recursos públicos.
E então o governo espanhol, como tantos outros, pede sacrifícios a quem ficou de fora da festa da evasão fiscal – o chamado povo. Viúvas, aposentados e assalariados são convocados a pagar a conta. Programas sociais são cortados um atrás do outro. Uma hora a paciência popular se esgota, e irrompem situações dramáticas como a de ontem na Espanha.
O caso espanhol merece atenção dos brasileiros.
O que teria acontecido no Brasil se a iniquidade extrema social que caracteriza o país tivesse seguido o curso livre de sempre?
Nossos indignados já estariam há muito tempo protagonizando cenas como as de ontem na Espanha. Viveríamos, todos, em estado de sobressalto. A classe média estaria encolhida, sitiada por favelas – e as ruas tenderiam a ser um território livre para bandidos, como esboçaram ser no final do século passado.
Administrações que diminuíram – menos do que o desejado, é certo – a iniquidade garantiram, paradoxalmente, a paz dos que mais as combatem, interessados apenas na manutenção e ampliação de seus privilégios. Ainda que involuntariamente, tais administrações prestaram um enorme serviço – não enxergado – aos ricos brasileiros.
Paz social não coexiste com iniquidade extrema. Para que sociedades sejam harmoniosas elas devem ter as características da Escandinávia.
Lá, graças à cultura da chamada Janteloven, ninguém se acha no direito de se julgar melhor que ninguém por causa do dinheiro (de resto quase sempre herdado) – e os que mais podem contribuem mais, nos impostos, pelo bem comum.
A Espanha seguiu outro caminho – e as consequências agora estão aí.


Fonte: DCM

Proibido para Protógenes: seis motivos para ver “Ted”, a comédia do ano


Por Diego Marques 

Ted, a comédia que o deputado Protógenes Queiroz está querendo proibir, não é para estômagos sensíveis, para crianças ou para delegados. Protógenes foi levar o filho de 11, Juan, e saiu chocado com as cenas em que o bicho de pelúcia consome drogas. Note: a recomendação é para maiores de 16 anos. Estivesse sozinho ou na companhia de um de maior, Protinha poderia ter se divertido. 

O filme conta a história de John, que, quando criança, fez um pedido de Natal para que seu ursinho de pelúcia (um teddy bear) ganhasse vida. Vinte e sete anos depois, John e Ted já são adultos e moram juntos em seu apartamento em Boston. A namorada de John, Lori, cansada das atitudes de Ted – um beberrão mulherengo – decide dar um ultimato para despejar de sua casa o ursinho com o qual ele cresceu junto e pelo qual nutre tanto carinho. Se a trama bizarra não é o suficiente para você, aqui vão 6 razões para ver a melhor comédia deste ano.
Seth MacFarlane
Essa é a primeira experiência de Seth MacFarlane, criador de Family Guy, no cinema. Os fãs da série, portanto, já sabem o que esperar – diversos momentos de humor surreal ligado a muitos elementos de cultura pop, como Star Wars e Flash Gordon. Se não bastasse, o próprio MacFarlane interpreta Ted. Como faz com Peter e Stewie Griffin, ele arranca risadas com situações absurdas e ofensivas. Dessa vez, seu trabalho como ator não se limitou à voz, já que foi utilizada a técnica demotion capture, captando seus movimentos.
O urso
Impossível não gostar de personagens politicamente incorretos, beberrões e mulherengos – basta lembrar o sucesso de Tony Stark e Charlie Harper. Agora imagine que este personagem é um adorável ursinho de pelúcia. Pode-se dizer que Ted ficará marcado em sua memória por muito tempo, e não necessariamente por você ter dormido com ele aos 9 anos de idade.
Mistura de gêneros
Ted tem uma mistura bem sucedida de gêneros, aliando o lado, digamos, doce ao surrealismo de fantasias com um humor adulto e incorreto. Além disso, apesar de se utilizar de alguns elementos já manjados, é o famoso bromance vs. romance — o protagonista precisa escolher entre o amigo e uma garota.
Elenco
O entrosamento entre Mark Wahlberg (sempre ótimo em comédias) e Seth MacFarlane é perfeito – o próprio ator admitiu que gravar uma cena de luta com um ursinho de pelúcia imaginário foi uma das coisas mais surreais e divertidas que já fez. Mas, além deles, a produção reúne belos nomes em seu elenco: Giovanni Ribisi (o Frank Jr. de Friends), Patrick Stewart, Ryan Reynolds e até Norah Jones, interpretando ela mesma.
Mila Kunis
Caso nada disso tenha convencido você, lembremos que o (belo) motivo pela ruptura entre John e Ted é a namorada Lori, interpretada por Mila Kunis.
Protógenes
Se ele não gostou, a coisa só pode ser boa.